Sofrendo com dívidas desde 2013, estabelecimento até chegou a receber propostas de revitalização, mas alto custo afastou investidores

O icônico restaurante flutuante Jumbo Kingdom, em Hong Kong, afundou poucos dias depois de ser rebocado para o mar a caminho de um destino não revelado. O navio de três andares, que conta com um visual inspirado em um palácio imperial chinês, foi movido nesta terça-feira, 21, após quase cinquenta anos atracado no sudoeste da ilha. 

Segundo a empresa responsável, o restaurante tombou enquanto era levado para um estaleiro no último sábado, 17, depois de encontrar “condições adversas” perto das Ilhas Paracel e afundou cerca de 1.000 metros, o que torna o trabalho de resgate “extremamente difícil”. Ainda de acordo com o comunicado, nenhum tripulante ficou ferido. 

A notícia do afundamento do Jumbo Kingdom foi recebida com tristeza nas redes sociais, onde usuários compartilharam mensagens de despedida e lembranças de visitas passadas. Houve ainda quem viu o acidente como uma metáfora para a economia de Hong Kong, já que a cidade ainda se apega a restrições pandêmicas após vários anos de turbulência política. 

O barco, com cerca de 80 metros de comprimento, tinha capacidade para 2.000 pessoas e foi por muito tempo o maior restaurante flutuante do mundo, aparecendo em grandes produções de Hollywood e recebendo figuras ilustres, como a rainha Elizabeth II. Ele ficou famoso por sua fachada luxuosa em estilo imperial, abundantes luzes de neon e enormes pinturas especialmente encomendadas para ele, além de um trono dourado na sala de jantar. 

De acordo com arquitetos locais, essa estética tem um importante contexto histórico pelo fato de ter sido construída em um momento em que a China estava tentando se desvencilhar do período imperial, durante a Revolução Cultural. No entanto, o estabelecimento vinha sofrendo um déficit desde 2013 devido à diminuição da população pesqueira no porto sul da ilha. 

Em março de 2020, durante a pandemia, o restaurante anunciou que precisaria fechar as portas até segunda ordem por conta de um prejuízo superior a 13 milhões de dólares. Muitas propostas com o intuito de salvar o local chegaram a ser apresentadas, porém seu alto custo de manutenção afastou os investidores. Até mesmo o governo de Hong Kong cogitou a possibilidade, mas logo descartou uma salvação. 

Sem uma perspectiva clara para o futuro, o proprietário do Jumbo Kingdom decidiu transferir o barco até um novo estaleiro não identificado antes que a licença de operação expirasse, no final de junho. 

https://veja.abril.com.br/mundo/restaurante-flutuante-iconico-de-hong-kong-afunda-durante-transporte/

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