A crise global dos chips semicondutores pegou em cheio diferentes setores da indústria e vem sendo um problema para basicamente todo mundo. Desde eletrodomésticos, até automóveis, passando pelos consoles, diversas empresas precisaram alterar os esquemas ou até paralisar suas linhas de produção por conta da escassez do componente. 

As fabricantes do produto vêm tentando aumentar sua capacidade de produção e fazerem mais e mais chips através de alterações nos seus processos de fabricação. Entre as principais medidas estão a abertura de capacidade sobressalente, auditoria dos pedidos dos clientes para evitar a acumulação e trocas nas linhas de produção. 

Mas mesmo com todas essas medidas, crise segue fortíssima e as estimativas são de que não haverá uma resolução pelo menos até o ano que vem. As causas para esse problema são diversas e vão desde a guerra comercial entre Estados Unidos e China, até um erro de cálculo que levou alguns fabricantes a estocar sua produção lá no começo da pandemia. 

Outras causas

EUA x China
Guerra comercial entre EUA x China ajudou o produto a sumir do mercado. Ink Drop/Shutterstock

Entre os chips que estão mais em falta no mercado, estão os de tecnologia mais simples, que são usados em uma gama maior de produtos, como os automóveis. No entanto, a indústria do setor tem focado seus esforços na fabricação de chips mais elaborados, necessários para equipamentos com 5G e servidores, por estes serem mais lucrativos.

Essa abordagem acabou falhando com a chegada da pandemia, que mudou os padrões de consumo de alguns consumidores, que ao passarem para o regime de trabalho remoto, precisaram investir em novos equipamentos. Isso acabou deixando os fabricantes mal equipados para lidar com essa demanda crescente. 

Além disso, a crise de oferta aumentou bastante por conta da guerra comercial entre EUA e China, principalmente durante o ano de 2020. O ex-presidente Donald Trump restringiu gradualmente a venda de chips produzidos nos Estados Unidos para alguns compradores chineses, o que fez com que empresas de tecnologia do país passassem a estocar chips. 

“Agora [as empresas chinesas] estão acumulando estoques por um mês, três meses ou mesmo seis meses, e interromperam todo o sistema”, declarou o vice-presidente da Huawei, Eric Xu. Em 2020, as importações de semicondutores da China aumentaram 15% e movimentaram US$ 35,9 bilhões (R$ 199,13 bilhões) somente no mês de março, segundo a alfândega chinesa. 

Uma dose de azar

Eventos naturais e até um incêndio paralisaram a produção de diferentes fábricas. Crédito: Pixabay

A produção também foi interrompida no Japão por conta de um incêndio em uma fábrica, nos Estados Unidos por conta do frio extremo. Taiwan, que é um importante polo de produção de semicondutores, ameaça reduzir a fabricação por conta de uma forte seca que atinge o país atualmente e o processo precisa de grandes quantidades de água. 

Hoje, estima-se que os semicondutores sejam o quarto produto mais comercializado do mundo, ficando atrás somente dos automóveis, petróleo refinado e do petróleo bruto. Como dito anteriormente, os fabricantes investiram na produção de chips mais sofisticados para a produção de aparelhos mais tecnológicos. 

No entanto, carros e eletrodomésticos exigem componentes mais rudimentares e até mesmo itens de tecnologia de ponta, como smartphones 5G, necessitam de quantidades maiores de chips mais simples. Um exemplo disso são os reguladores de energia e microcontroladores, que executam uma série de funções dentro dos equipamentos. 

Um telefone 5G leva até oito chips de gerenciamento de energia, os dispositivos da geração anterior, a 4G, levam somente três desses chips. Porém, no ano passado, 27% de todos os gastos com equipamentos de produção de semicondutores foram destinados para a fabricação de chips avançados, contra apenas 11% investidos em equipamentos mais simples. 

Mudar não é fácil

chip
Mudar os parques fabris exige tempo e recursos. Chip Créditos: Shutterstock

Com a necessidade de se produzir chips mais simples, uma opção seria mudar as linhas de produção para se produzir componentes mais simples. Contudo, essa alteração não é tão simples, embora seja possível. 

Em geral, o processo de construção e equipamento de uma planta fabril de semicondutores leva em torno de dois anos ao custo de alguns bilhões de dólares. As máquinas são complexas para serem construídas e grandes para serem transportadas, o que dificulta a mudança de fábricas já construídas ou a instalação de novas linhas de produção. 

Apesar da demanda estar altíssima nesse momento, os fabricantes não se sentem seguros para fazer investimentos tão grandes por não saberem ao certo se aumentar a capacidade por agora não vá prejudicá-las no futuro, deixando as empresas com uma enorme capacidade ociosa. 

Apesar disso, os fabricantes já anunciaram que devem aumentar sua capacidade de produção e construir fábricas mais diversificadas. Porém, o processo ainda vai demorar um pouco e só deverá ser concluído dentro de dois ou três anos. Enquanto isso, a crise deve continuar, os preços podem subir e alguns produtos sumirem, como já tem acontecido com o PlayStation 5 e os Xbox Serie S e X. 

Fonte: olhardigital Com informações do The Wall Street Journal 

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