Um dos maiores méritos das franquias de videogame que se mantêm no cenário a longo prazo é saber se reinventar. A capacidade de adaptação, de “cercar” os fãs com novas criações e de se moldar de acordo com o que faz sentido para cada período ditam a permanência ou o sumiço de um título do imaginário dos fãs. Um ótimo exemplo positivo neste sentido em 2020 é Call of Duty. Entre altos e baixos, o game deu aula na forma como seguiu em pauta e não se acomodou com o sucesso em nenhum momento.

A primeira versão, surgida no PC, foi idealizada em 1999 e veio a público no ano de 2003. O game simulava uma série de episódios da Segunda Guerra Mundial —abrindo concorrência com Medal of Honor. Àquela altura, o game se mostrou revolucionário no que dizia respeito ao conceito coletivo —com companheiros controlados por inteligência artificial— fugindo do aspecto individual. Um passo importante para qualquer conceito do que viria a ser o esporte eletrônico.

De 2019 para cá, podemos citar pelo menos quatro grandes anúncios do Call of Duty. A começar pela inserção no cenário mobile, algo que todos os games deveriam se preocupar em fazer, no mês de outubro do ano passado. Desenvolvido pela Tencent Games e publicado pela Activision para Android e iOS, Call of Duty Mobile ultrapassou 300 milhões de downloads nesta semana. Estima-se que o título já tenha batido US$ 480 milhões em vendas dentro dele.

Houve também o remake do clássico Modern Warfare, que gerou mais de R$ 2 bilhões de lucro no prazo de três dias e provou que vale combinar modernidade e nostalgia. Bateu recordes de vendas no PC, no PlayStation, e fez uma história digna de ser seguida pelos principais concorrentes. Mas afinal, o que faz a série tão empolgante e cria essa trajetória de maneira tão assustadora, ainda que o título não seja um eSport enorme a nível mundial?

Call of Duty soube envelhecer. Não parou no tempo. Em nenhum momento se aquietou. Buscou a melhor forma de agir no mercado, combinando a inteligência da busca pelo lucro à experiência dos jogadores. Pode não ser a primeira referência que venha à mente no que diz respeito aos jogos de tiro, mas certamente está no imaginário de todos os fãs de games nesse gênero. É difícil encontrar alguém que nunca tenha jogado pelo menos uma versão da franquia.

Diante do sucesso retumbante do gênero Battle Royale, por exemplo, a Activision fez questão de se inserir. O lançamento do Warzone foi um sucesso absoluto. Lançado originalmente como uma extensão do Modern Warfare, ganhou vida própria e jogadores exclusivos. Atingiu, segundo a produtora, seis milhões de pessoas nas primeiras 24 horas. Disponibilizou modos multiplayer envolvendo de 150 a 200 pessoas. Segue ouvindo os feedbacks dos fãs para proporcionar uma boa experiência.

O anúncio mais recente foi o Cold War —que será o sexto jogo da série Black Ops. O lançamento está previsto para o dia 13 de novembro. O game se passará no contexto da década de 80, durante a Guerra Fria entre Estados Unidos e União Soviética, com um modo de campanha, um multijogador de 6×6 e 12×12 e também um temático de zumbis. Quando as novidades já pareciam suficientes para o período recente, surgiu o primeiro título adaptável ao Playstation 5 e ao Xbox Series X/S, a nova geração de consoles, bem como ao PC.

A lição que o Call of Duty deixa para todo e qualquer concorrente, não só jogos de tiro, é que é possível englobar diversos universos de uma forma inteligente a longo prazo. Um estudo divulgado em julho pelo The Esports Observer aponta Modern Warfare no Tier 2 dos jogos mais impactantes para PC no mundo, com muitas horas na Twitch e um cenário fortíssimo enquanto modalidade nos Estados Unidos. Um equilíbrio bem trabalhado entre casual e competitivo digno de aplausos.

Fonte: uol

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