A Pesquisa Games Brasil 2019, divulgada mais cedo neste mês de junho, mostrou resultados esclarecedores sobre o público gamer no Brasil. Parte dos dados apresentados tratam sobre a participação feminina no cenário de games e esports. Para entender um pouco mais sobre isso, o Versus conversou com Guilherme Camargo, CEO da Sioux Group – uma das empresas responsáveis por angariar os dados).

O perfil consumidor

De acordo com os dados apresentados sobre o público geral, levando em conta os 3.251 entrevistados – dos quais 53% são do gênero feminino e 47% do masculino – foi observado o aumento da presença feminina nos games e esports pelo quarto ano consecutivo da Pesquisa Games Brasil.

Essa consistência está diretamente ligada ao crescimento do mercado mobile e à mudança no foco da indústria. “Até o início dos anos 2000, [a indústria dos games] era um mercado voltado para o público masculino, isso começou a mudar em 2006, com a chegada de consoles como o Wii, que não apostava em uma imersão em questão de gráficos, mas investia em uma experiência social”, diz o CEO.

“O público que jogava, em sua maioria masculino, trouxe mães, irmãs, namoradas, para jogar e elas passaram a fazer parte desse universo, que até então a indústria via como exclusivamente dos homens.”

A maioria do público gamer geral é feminino. | Foto: PGB19/Reprodução

Por mais que o panorama esteja mudando, Camargo explica que tudo ainda está longe do ideal. “Hoje, quando você fala de ‘gamer’ ainda pensam instantaneamente no jovem trancado no quarto jogando, por mais que o mercado de games seja uma coisa mais massificada, ainda existe muito preconceito”.  

Mais do que uma mudança no cenário geral, Camargo também estabelece um paralelo entre o aumento do público feminino e o desenvolvimento de grandes comunidades nos games: “Vários jogos criados dentro de redes sociais começaram a expor maior diversidade e aceitação. Logo após isso, veio a plataforma, o smartphone, a facilidade de comunicação e a quantidade de títulos gratuitos se popularizando”.   

“Não que as mulheres não jogassem, mas elas nunca foram vistas pela indústria dos games como um público recorrente. Todas as expressões de inclusão e diversidade começaram mais ou menos no mesmo momento. As mulheres estão conquistando mais espaço e reconhecimento não só na indústria dos games e numa proporção muito mais rápida, se comparada ao que era anos atrás. Está longe de ser o ideal e justo, mas estamos no caminho certo”, completa. 

Plataformas mais utilizadas pelo gamer no Brasil. | Foto: PGB19/Reprodução

O mercado mobile

Segundo o CEO, o constante crescimento do público feminino, entre outros fatores, está ligado à ascensão do mercado mobile e ao uso dos smartphones para ocupar o tempo livre – seja com o uso de redes sociais ou, no caso em questão, games. “Os aparelhos e os jogos passaram a ser a solução para esses momentos de microtédio.”

Outro detalhe apontado pela Pesquisa Games Brasil 2019, que concretiza ainda mais a força do mercado de games mobile, é o fato de esta ser a plataforma mais utilizada pelo público, tanto entre os considerados casuais quanto hardcore. “O smartphone não necessariamente é o aparelho favorito, mas é o que permite jogar em qualquer lugar a qualquer momento”, diz o executivo.  

A Pesquisa Games Brasil 2019 pode ser encontrada no site oficial e conta com material disponível gratuitamente. Os dados foram angariados entre 5 e 8 de fevereiro pela Sioux Group, Blend e ESPM.

Fonte: vs pesquisa pesquisagamebrasil

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