O OnePlus 6 talvez seja o celular mais entediante já fabricado pela empresa. Não me leve a mal, não quero insultar ninguém falando isso, é mais uma reflexão sobre o quão longe a empresa foi desde que lançou o OnePlus One. Porque muito embora esse lançamento da OnePlus não traga a mesma animação do que alguns dos outros aparelhos do passado, como um todo, o OP6 é, sem dúvida nenhuma, ainda mais importante nesse mundão de celulares que passam dos US$ 1.000 nos EUA. Ah, e também é o melhor smartphone que a OnePlus já lançou.

Em 2014, o primeiro celular da companhia era voltado para os obcecados em especificações que queriam algo um pouco mais em conta, garantindo os componentes dos topo de linha, mas sem as funcionalidades supérfluas e aplicativos pré-instalados que vinham nos celulares da Samsung, LG ou HTC, por exemplo.

PREÇO
US$ 529 (R$ 1.977, em conversão direta)

O QUE É?
Um smartphone com especificações de topo de linha

GOSTEI
Boas especificações pelo preço, ótima autonomia de bateria e controles por gestos legais

NÃO GOSTEI
Não há carregamento sem fio, nem alto-falante estéreo e certificação de resistência à água

 

Apesar de alguns problemas técnicos como telas com pigmentos amarelados e o incômodo com o sistema de convites, o OnePlus One foi um grande sucesso. Ele era quadradão, com uma traseira literalmente coberta com uma lixa, e entregava componentes de ponta, dando liberdade para os entusiastas brincarem com a potência.

No entanto, conforme a empresa foi ficando mais velha, seus aparelhos também amadureceram. Aquela traseira áspera deu lugar ao metal no OnePlus 3, antes de ser substituída por vidro no novo OnePlus 6, o que acompanha a tendências de vários outros smartphones atuais. E falando em tendência, no topo da tela enorme de 6,3 polegadas do OP6 há um entalhe. Neste momento, entalhe não é uma inovação, mas uma tática simples para entregar o que todo mundo quer: mais tela.

Mesmo quando você habilita a configuração para esconder o entalhe, você consegue enxergá-lo, o que não é uma grande coisa. Foto: Sam Rutherford (Gizmodo)

Agora, nem todo mundo curte essas tendências, especialmente aqueles fanáticos que não são muito fãs de mudanças. Mas já era esperado que a OnePlus tentasse buscar um pedaço maior do bolo entre as fabricantes famosas. A companhia contratou modelos para explicar sua tecnologia de carregamento rápido, fez parcerias com a Disney e marcas de moda como a Collette para entregar edições limitadas de seus celulares, além de ter lojas temporárias ao redor do mundo (não há notícias sobre a possibilidade de ter lojas dessas no Brasil) para que os aparelhos ficassem mais acessíveis.

Pela traseira, o OP6 se parece bastante com o Galaxy S9. E isso não é uma coisa ruim, mas também não anima muito. Foto: Sam Rutherford (Gizmodo)

Mas tudo isso são apenas distrações, porque o OnePlus 6 é um smartphone muito bom. A tela OLED com resolução FHD+ é bem vibrante, o brilho chega a 638 nits. Melhor do que o Galaxy S9+ (605 nits) e Huawei P20 Pro (565 nits). Sua performance é tão boa quanto a de qualquer outro celular Android topo de linha; o OP6 tem processador Qualcomm Snapdragon 845, 6 GB de RAM e 64 GB de armazenamento no modelo padrão.

Tudo isso em um celular que começa em US$ 530. São US$ 200 a menos do que o Galaxy S9, US$ 270 menos do que o Pixel 2 XL e US$ 420 menos do que o Galaxy Note 8. Então, sim, mesmo que o OnePlus 6 seja significativamente mais caro do que o primeiro celular da empresa, que custava US$ 300, a marca ainda representa um bom negócio entre os celulares premium de hoje em dia.

Graças a eficiência energética melhorada do Snapdragon 845, a autonomia de bateria do OnePlus 6 melhorou para 13 horas e 3 minutos, mesmo tendo a mesma bateria de 3.300 mAh do OnePlus 5T (que chegava apenas a 11 horas e 22 minutos). Mesmo que a temporada de lançamentos ainda esteja em andamento, essa marca de 13 horas de autonomia é a maior que vimos até agora – isto é, de todos os tempos.

A OnePlus ainda não está pronta para deixar o plug de fone de ouvido de lado. Foto: Sam Rutherford (Gizmodo)

Na parte interna, o Oxygen OS da OnePlus é o mais perto que você chega de um Android puro que não seja um Pixel ou um Nokia. O Oxygen OS é rápido, suas transições não possuem instabilidades e ele até melhora algumas coisas que o Google planeja introduzir na próxima versão do Android. O sistema tem um modo noturno incorporado, que suporta belíssimos papeis de paredes pretos que tiram vantagem da tela de AMOLED, e tem também controles opcionais por gestos que funcionam muito bem.

Com os controles por gestos ligados, a barra inferior de navegação some. Da hora. GIF: Sam Rutherford (Gizmodo)

 

Ao contrário da “pílula” do Android P que ainda ocupa um pedaço da parte inferior da tela, os gestos do OnePlus eliminam por completo quaisquer botões de navegação da tela. A navegação é bem simples: arraste para cima no centro da tela para ir para o início; deslize para cima e segure para ver os aplicativos recentes; deslize para cima nos lados da tela para voltar. É simples, elegante e depois de usar por pouco tempo fica difícil voltar para a barra de navegação tradicional.

O slider de alerta no lado direito é uma maneira útil para alternar entre os perfis de som. Foto: Sam Rutherford (Gizmodo)

Ao mesmo tempo, o preço baixo significa alguns sacrifícios. Assim como o OP5T, o OP6 possui desbloqueio facial que é bem ágil, mas não tão seguro quanto o reconhecimento de íris do Galaxy S9 ou quanto a tecnologia de leitura do FaceID da Apple. O OnePlus 6 também não tem alto-falantes estéreo ou carregamento sem fio, este último que eu achei especialmente irritante porque não há nenhum metal na traseira do aparelho para impedir o uso da tecnologia.

Oneplus 6 VS Galaxy S9 Plus
Com iluminação forte, existem alguns diferenças na exposição entre os dois, mas o S9 não está tão na frente.
Ambos celulares mandam bem no modo que desfoca o fundo, mas de vez em quando o software falha e entrega que se trata de edição.
A foto do S9 é mais brilhante e tem cores mais saturadas, e as folhas das árvores são mais nítidas também. Ainda assim, o resultado é muito próximo.

A OnePlus diz que o OP6 aguenta respingos d’água, mas o telefone não tem certificação oficial IP; se o aparelho entrar em contato com a água, não há garantias de que sobreviverá. É algo que eu acho que a OnePlus deveria corrigir. A empresa não é mais uma startup. Com receitas de US$ 1,4 bilhão em 2017, já passou do tempo de ter suas coisas certificadas para dar mais credibilidade aos seus produtos.

Sobre as câmeras do OP6, a OnePlus reduziu o papel da câmera secundárias de 20MP e ela ajuda apenas nos efeitos de profundidade de campo, como no modo retrato do celular. É meio triste, porque no OP5, a segunda câmera te dava zoom extra, enquanto no OP5T, ela era dedicada a fotografar cenas com pouca iluminação. Mas a falta de versatilidade é compensada pela qualidade geral da imagem. Depois de algumas comparações e testes em várias condições de iluminação, eu fiquei bastante impressionado com a habilidade do OP6, que sempre chegou perto do S9+. Mesmo que algumas vezes as imagens não fossem tão nítidas ou claras, as diferenças geralmente eram mínimas, então não dá para reclamar.

Mas no final das contas, esse é o propósito da OnePlus. O OnePlus 6 não é cheio de funcionalidades como o Pixel 2 XL, Galaxy S9+ ou até mesmo o LG G7, que são os competidores mais próximos em termos de especificações. Mas ele custa dois terços, se comparado com esses celulares, e pelas coisas que é capaz de fazer, é uma opção muito boa. A performance, a autonomia de bateria e câmera não são apenas boas, são ótimas, e não há nenhum outro aparelho com preços entre US$ 400 (R$ 1.500) e US$ 700 (R$ 2.500) que eu compraria. E embora esse agrupamento pareça uma divisão arbitrária, é essa a faixa de preços que as pessoas procuram quando estão atrás dos topo de linha recentes.

O OnePlus 6 pode não ser o telefone mais legal ou mais ambicioso que o OnePlus já fez, mas consegue um equilíbrio fantástico entre o que você precisa e o que você precisa desembolsar para comprá-lo.

RESUMO

• O OnePlus 6 é o primeiro telefone da empresa com traseira de vidro desde o OnePlus X, que viveu muito pouco.

• A duração da bateria é fantástica, o OnePlus 6 venceu o Pixel 2 XL, o Galaxy S9 + e o Huawei P20 Pro em nosso teste de bateria.

• Entre as coisas ausentes estão: slot microSD (embora haja espaço para dois SIMs), carregamento sem fio e sem alto-falantes estéreos (há apenas um alto-falante mono na parte inferior).

• Assim como o OnePlus 5T, a OnePlus diz que o OP6 é capaz de sobreviver a um pouco de chuva ou respingos d’água, mas sem uma certificação oficial IP, não tem ao que recorrer de algo der errado.

• Ele não funciona em operadoras CDMA. Apenas GSM, como é o caso do Brasil.

ESPECIFICAÇÕES

Oxygen OS baseado no Android 8.1

• Processador Qualcomm Snapdragon 845
• 6GB de RAM • 64GB de armazenamento
• Tela AMOLED de 6.28 polegadas com resolução de 2280 x 1080
• Câmera frontal de 16-MP
• Conjunto de câmera traseira de 16-MP/20-MP
• Bateria de 3,300
• Porta USB 2.0 Tipo-C
• plug para fone de ouvido
• 155.7 x 75.4 x 7.8 mm
• 177 gramas.

Fonte: gizmodo via Imagem do topo: Sam Rutherford (Gizmodo)

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