A cada nova versão fica mais difícil para os games de futebol apresentarem mudanças relevantes. Ainda assim, é gratificante ver como “FIFA” tem conseguido mostrar novidades que vão além de meros ajustes nos controles e atualizações de elenco.

Em “FIFA 17” são duas grandes estrelas: o motor gráfico Frostbite e o modo Jornada. Ambos resolvem problemas de longa data na série e ampliam horizontes, oferecendo experiências mais elaboradas do que nunca. Os dois são exclusividades das versões para PlayStation 4, Xbox One e PC. Os já antigos PS3 e X360 também receberão “FIFA 17”, mas sem essas atrações.

A engine Frostbite é a mesma utilizada na série “Battlefield” e proporciona gráficos ainda mais bonitos, especialmente em relação a efeitos de luz e animações. Sim, os jogadores em campo ainda parecem robôs às vezes, mas a evolução é evidente. Animações diferentes passam de uma para a outra com mais naturalidade e fluidez.

Jogo testado nas versões para PS4 e Xbox One
Jogo testado nas versões para PS4 e Xbox One

Já os efeitos de luz fazem de “FIFA 17” um jogo completamente diferente dos anteriores. A iluminação das arenas e a maneira como fazem o gramado, a bola, jogadores e tudo o mais brilhar nos estádios é infinitamente mais realista do que qualquer outro “FIFA”. Dá gosto de ver.

É uma pena que a mudança para o novo motor gráfico seja vista de maneira mais intensa só no visual. Chutes e passes receberam o tradicional ajuste, ficando um pouco mais precisos e versáteis, marcar o adversário é mais difícil, mas fica a impressão de que a engine Frostbite é capaz de trazer ainda mais benefícios para “FIFA” no futuro, especialmente vendo o quanto “Battlefield” evolui em todos os aspectos a cada edição.

Quem já joga “FIFA” vai notar algumas mudanças nos controles, mas são transformações menos gritantes do que as vistas no visual do game. Por outro lado, não são ajustes fortes o bastante para converter ou mesmo agradar fãs mais fervorosos do rival “Pro Evolution Soccer”. Cada tipo de jogador continua no seu quadrado.

O peso de um craque

O modo Jornada é o gol de placa de “FIFA 17”. Nele você acompanha a história de Alex Hunter, jovem inglês que sonha em virar um astro do futebol mundial.

Não se trata de uma versão com mais firulas do tradicional modo carreira: é quase um jogo à parte, um RPG de futebol em que é necessário participar de treinos para melhorar atributos de Hunter e escolher respostas em conversas que vão definir o caráter do atleta e como acontecem certos eventos na história.

Não se trata de algo totalmente inédito em games de esporte, a série de basquete “NBA 2K” já faz algo semelhantes há anos, incluindo até uma história dirigida pelo aclamado diretor Spike Lee, mas isso nunca foi feito com tanta desenvoltura com o esporte mais popular do planeta. Jornada já merece elogios pela ousadia de acrescentar algo tão elaborado em um jogo que já é líder de mercado, mas agrada também pela qualidade geral da experiência.

Vale notar, o já tradicional modo Carreira não ficou de fora por conta da inclusão do Jornada. São opções diferentes, ainda que parecidas em conceito.

Por sinal, “FIFA 17” não deixa ninguém para trás: todas as as atrações e melhorias de temporadas anteriores marcam presença, como as seleções femininas, o imenso cardápio de tipos de partida online, o viciante FUT e a narração em português de Tiago Leifert e Caio Ribeiro, neste ano ainda mais completa.

Segundo a produtora Electronic Arts, a dupla gravou cerca de 13 mil novos áudios, incluindo alguns específicos para o modo Jornada. Com esse reforço, pela primeira vez a narração em português de “FIFA” iguala a quantidade de áudios da versão original, em inglês.

O ponto negativo, como de costume, fica em relação aos times brasileiros: Corinthians e Flamengo são mais uma vez exclusivos do rival “Pro Evolution Soccer”, não há nenhum estádio brasileiro e todos os atletas de clubes são genéricos – para piorar, não há previsão de que isso mude tão cedo. O único alento é que “FIFA 17” traz cinco times da Segunda Divisão (Avaí, Criciúma, Goiás, Joinville e Vasco da Gama), algo que “PES” não faz neste ano.

Fonte:  jogos.uol

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