A unidade pode alcançar até 10 gigabytes por segundo na transferência de dados.

Comparados com HDs, SSDs são muito mais rápidos, tanto que a gente sonha com o dia em que essas unidades oferecerão capacidade generosa de armazenamento a preços acessíveis. Mas os anseios por mais espaço para dados não significam que a indústria não pode buscar mais velocidade. Pelo menos é isso o que pensa a Seagate: a companhia vem se preparando para lançar SSDs que podem transferir até 10 GB/s (sim, gigabytes por segundo).

Essa taxa coloca o dispositivo na posição de SSD mais rápido do mundo. Até agora, o máximo que a Seagate havia conseguido foram 4 GB/s para leitura sequencial e 2,2 GB/s em operações de escrita nas unidades da linha XP6500. Empresas concorrentes já haviam conseguido chegar a 6 GB/s.

A Seagate ainda não deu todos os detalhes sobre esse SSD, mas, a exemplo da linha XP6500, a taxa máxima de transferência de dados deve estar relacionada a operações de leitura de dados. Esse aspecto fornece uma pista sobre o foco do produto: o segmento corporativo. Um tanto óbvio, não? Além de empresas, são poucas as instituições que precisam de tanta velocidade.

Um porta-voz da Seagate explicou à PCWorld que companhias como Netflix e Hulu buscam maximizar a velocidade de seus serviços porque isso significa, teoricamente, que elas podem atender a mais usuários ao mesmo tempo. No caso desse SSD milagroso, o fluxo de dados em streaming de vídeo e outras aplicações pode melhorar até 66%, de acordo com o mesmo porta-voz.

SSD Seagate

Qual a mágica aqui? O novo SSD contará com interface PCI Express x16 (por si só já bastante rápida) combinada com o padrão NVMe (Non-Volatile Memory Express). E o que raios é isso? Basicamente, uma especificação criada por um consórcio formado por mais de 80 empresas (incluindo a Seagate) que visa melhorar o desempenho dos SSDs.

Até hoje, a maioria dos SSDs é baseada na interface SATA, padrão que já não consegue acompanhar a velocidade das unidades mais avançadas. O NVMe é uma interface que, com base no PCI Express, pode superar essa limitação por oferecer latências (tempo necessário para o primeiro dado ser acessado) menores e permitir, por exemplo, melhor aproveitamento de todos os núcleos do processador. Isso faz com que a taxa de IOPS (número de operações por segundo) aumente consideravelmente.

Na prática, é como se o NVMe aumentasse a capacidade do SSD de receber e executar comandos para operações de leitura e escrita. Podendo lidar com mais tarefas ao mesmo tempo, o NVMe também pode reduzir o tempo de atividade da unidade, diminuindo o consumo de energia.

Não é a primeira vez que o NVMe é usado. SSDs Intel 750 Series, por exemplo, já contam com essa interface. Só que a diferença de velocidade dessas unidades em relação ao que a Seagate promete é gritante (ainda que longe de ser desprezível): até 2,5 GB/s em operações sequenciais de leitura.

Como que para reforçar o foco no segmento corporativo, a Seagate revelou também que o novo SSD será compatível com as normas do Open Compute Project (OCP), organização criada em 2011 para estabelecer critérios que otimizam o compartilhamento de dados entre datacenters e aplicações de TI. O OCP é apoiado por gigantes como Microsoft, Intel, Apple e Facebook (que aparece como líder da iniciativa).

SSD Seagate

Além da versão que alcança 10 GB/s, a Seagate promete lançar um modelo com PCI Express x8 que atinge “só” 6,7 GB/s. Quando? A companhia deve confirmar essa informação nos próximos dias, mas fala-se que os lançamentos devem ser feitos no meio do ano.

E as capacidades? Outra informação não revelada, mas não faz sentido um SSD tão rápido ter pouca capacidade de armazenamento, correto? Eu aposto em algo com pelo menos 4 TB, portanto. Só para constar, a Fixstars já tem um modelo com 13 TB; a Samsung colocou aquela incrível unidade de 16 TB no mercado recentemente.

É possível que os preços não se tornem públicos. Como esses SSDs são destinados a aplicações corporativas, os valores podem variar conforme a quantidade de unidades adquiridas, por exemplo. Creio que é melhor assim: o preço para tamanha sofisticação é sempre alto, logo, não sei se o meu coração estaria preparado para lidar com isso.

Mas, no final das contas, a maior surpresa nessa história toda talvez seja o fato de a Seagate estar finalmente tentando se destacar no mercado de SSDs. Não que esse seja um terreno inexplorado pela marca. Porém, como a Seagate sempre esteve focada em HDs, a impressão que se tem é a de que SSDs são produtos secundários para a companhia. Talvez isso comece a mudar a partir de agora.

Fonte:  tecnoblog.net

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