Existe uma parede a dividir a grande comunidade de jogadores por esse mundo fora. É uma barreira que impede duas pessoas que compraram o mesmo jogo, com as mesmas funcionalidades, feito pela mesma produtora e editora, pelo mesmo preço, de jogarem juntas, simplesmente pelo facto de estarem em plataformas concorrentes. Existe sem nenhuma razão em especial, que não seja a obsessão de Sony, Microsoft e Nintendo manterem o seu querido ecossistema, numa fúria invejosa desmedida, que ignora a parte mais importante da equação, nós.

É tempo do multiplataforma virar o padrão

É uma pena que estes sistemas online, específicos de cada plataforma, ainda sejam aceites como norma em 2015, e que os donos das plataformas não demonstrem sinais de mudança para um sistema aberto, mesmo com o gaming online a demonstrar-se mais popular do que nunca.

Mas não tem que ser assim. Imaginem um mundo em que as rivalidades sobre as diferentes plataformas pudessem ser resolvidas nos modos competitivos de Call of Duty, Battlefield, Evolve, Destiny, ou Grand Theft Auto V, no lugar das trocas de argumentos sem sentido que assistimos nos comentários. Ou onde houvesse a possibilidade de pôr as diferenças de parte em partidas cooperativas de Borderlands: The Pre-Sequel, Assassin’s Creed Unity, ou Minecraft. Podem apostar que as editoras externas (“third-party”) iam adorar alimentar uma saudável rivalidade in-game, ao permitir que os jogadores de cada plataforma exibissem o logótipo e combatessem pela sua “bandeira” de eleição, com achievements e troféus para as kills de oponentes de outras plataformas.

dividir a população… pode ser a diferença entre uma vida longa ou uma morte prematura

Melhor ainda, imaginem se os jogos multijogador da vossa preferência, especialmente aqueles onde é difícil competir porque as salas estão sempre vazias, tivessem o dobro ou o triplo de competidores. Isto é especialmente importante para títulos mais pequenos, que não têm o benefício de campanhas de marketing gigantescas, ou o crescente mercado dos free-to-play e dos MMORPGs que dependem de uma população forte para funcionar. Por exemplo, The Elder Scrolls Online vai ser lançado para Xbox One e PlayStation 4, dividir a população é um duro golpe ao que podia ser um mundo vibrante, pode ser a diferença entre uma vida longa ou uma morte prematura.

De volta à realidade: Não quero sugerir que a Microsoft, Sony e Nintendo possam pressionar um botão e permitir a todos jogarem em conjunto já amanhã. Garantir que serviços como a PlayStation Network e o Xbox Live funcionem adequadamente em conjunto leva certamente algum tempo, e envolve ultrapassar certas barreiras técnicas. No entanto, estes entraves existem porque os sistemas foram desenhados de raiz e deliberadamente para bloquear o jogo multi-plataformamultiplataforma

A história provou que o gaming multi-plataforma é possível

Jogos como Portal 2 e Final Fantasy XIV: A Realm Reborn permitiram o cruzamento entre as versões PlayStation e PC, com Street Fighter V a juntar-se a estes em breve. Na Xbox 360, Shadowrun e Universe at War: Earth Assault provaram que os jogadores da consola e do PC podem coabitar nos mesmos servidores. (Fable Legends vai permitir o mesmoentre o PC e a Xbox One ainda este ano). Claro que no lado do PC, os utilizadores de Windows, Mac e Linux têm usado servidores comuns (muitos dos quais correm Linux) desde há muito tempo, apesar de estarem a usar diferentes sistemas operativos. Jogos como Hearthstone, Frozen Synapse e Galcon funcionam entre o PC e o mobile, com dados a serem transferidos ao longo das fronteiras das plataformas. É possível, se for permitido.

Embora exista um legítimo motivo relacionado com o equilíbrio, que desincentiva os produtores de jogos a separar as consolas do PC (como a vantagem do rato e teclado num shooter na primeira pessoa), a diferença nos controlos da PlayStation 4, Xbox One e Wii U são mínimas. Existiria ainda um problema para sincronizar as atualizções em todas as plataformas, mas mais uma vez, o tempo de desenvolvimento é equivalente ao moroso processo de certificação do conteúdo pela Sony ou Microsoft.

Não se trata portanto de não existir uma forma de tornar o jogo multi-plataforma possível, simplesmente não há é vontade. A Hidden Path Entertainment é uma produtora “cross-platform” conhecida pelos jogos Defense Grid e por participar no desenvolvimento de Counter-Strike: Global Offensive com a Valve; o seu CEO Jeff Pobst, diz ouvir frequentes pedidos dos jogadores da Xbox One, para poder competir contra os da PS4, e vice-versa. – “A breve, ainda que curta resposta é, ‘Não podemos fazer isso, desculpem‘”.

a mera referência às versões da concorrência são encaradas como um crime.

A resposta longa, é infelizmente deprimente, porque revela que além do expectável desafio técnico, existem questões políticas por detrás. “É comum um jogo não poder mencionar o nome, ou não reconheça a existência de outros serviços ou plataformas. Não seria permitido no serviço se o fizesse”, diz. Pensem no assunto: Não se trata daMicrosoft, Sony e Nintendo não levantarem um dedo para avançar com a possibilidade multi-plataforma, eles têm tomado medidas concretas para evitar que ela seja possível, a mera referência às versões da concorrência são encaradas como um crime. Compreende-se que a marca seja importante, não querem os rivais a publicitarem nas suas costas, mas há um limite em que tudo se torna ridículo, é negação da realidade.

Pobst salienta no entanto, que existem benefícios para estas políticas: Os pequenos produtores como a Hidden Path conseguem acesso a serviços já completos e que se gerem sozinhos, com listas de amigos consolidadas, funcionalidade de achievements ou troféus, gravações na nuvem, tabelas de líderes e registo estatístico. Sem elas, o custo de produção aumentaria drasticamente, já que as produtoras teriam de montar os seus próprios sistemas de suporte. No lado do jogador, garante tranquilidade. “É um bom serviço de apoio ao cliente, e dá-lhe confiança de que este jogo, mesmo que existam múltiplas versões para outras plataformas, teve-o a ele e à sua consola em mente.” Como um jogador de PC de longa data, consigo simpatizar com este argumento.

As coisas não parecem melhores para futuro, “Sem o drástico aumento dos orçamentos para os jogos que desenvolvemos, ou um sistema universal de apoio ao online gaming, que todas as plataformas concordem em suportar, o sonho de ter uma cópia de Defense Grid 2 numa plataforma, que possa competir diretamente contra uma outra, terá de esperar”.

E é exatamente isso: estes sistemas fechados são o problema – as paredes que nos dividem. A solução é um sistema aberto, apoiado pelos donos das principais plataformas e que permita qualquer jogador jogar com quem quer que seja. Seria bom para todos.

It would bring gamers together instead of promoting pointless tribal rivalry.

Já é tempo de isso acontecer, e não é inédito (A Microsoft utiliza a tecnologia Blu-ray da Sony na Xbox One, por exemplo). Tornaria os nossos dispositivos de gaming mais capazes, mais valiosos. Permitiria aos nossos títulos multijogador viver mais tempo, tanto para os gamers como para os produtores. Aproximaria os jogadores de um modo verdadeiramente competitivo e cooperativo, em vez de os colocar uns contra os outros numa rivalidade tribal sem sentido. A única coisa no caminho são os detentores das plataformas, superprotetores e demasiado invejosos, apostados em convencer-nos a comprar uma segunda ou terceira máquina de 300/400 euros para jogar com todos os nossos amigos (não com metade deles).

Fonte:  pt.ign

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