Se você tem alguma dúvida sobre segurança da informação (antivírus, invasões, cibercrime, roubo de dados etc.) vá até o fim da reportagem e utilize o espaço de comentários. A coluna responde perguntas deixadas por leitores todas as quintas-feiras.

O aplicativo “Você Fiscal” conseguiu nesta segunda-feira (28), em seis dias, alcançar a meta de R$ 30 mil de financiamento coletivo pelo site “Catarse”. O aplicativo faz parte de uma iniciativa liderada pelo professor Diego Aranha, da Unicamp, cujo objetivo é permitir a fiscalização da totalização de votos durante a eleição.

O app será desenvolvido inicialmente para a plataforma Android. A ideia é que pessoas instalem o software no celular para tirar fotos dos Boletins de Urna (BUs) que são impressos ao final da eleição e expostos publicamente por cada seção eleitoral e contêm o total de votos computados para cada candidato. O próprio Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ao fim da eleição, divulga os BUs eletronicamente em um site chamado BU na Web (BUWEB) com os quais os números obtidos pelo Você Fiscal poderão ser comparados, permitindo identificar diferenças nos números.

O professor Diego Aranha, responsável pelo aplicativo, liderou uma equipe que identificou um erro na urna eletrônica durante um teste de segurança público promovido pelo próprio TSE em 2012. O erro permitia reordenar os votos cadastrados pela urna a partir do Registro Digital do Voto (RDV), um arquivo que é disponibilizado aos partidos. Com essa informação mais a ordem de votação em uma seção eleitoral, seria possível descobrir quem votou em quem.

Este ano, a Justiça Eleitoral não realizou testes públicos de segurança. A coluna Segurança Digital questionou o TSE na noite de quinta-feira (24) e a assessoria do órgão na tarde desta terça (29) disse que “o TSE ainda está tomando conhecimento da iniciativa e, por isso, não se pronunciará no momento”.

Nesta terça, o presidente do TSE, ministro Dias Toffoli, concedeu entrevista sobre o processo eleitoral e disse que testes públicos de segurança no sistema eletrônico de votação não ocorrerão em 2014 porque os programas que serão usados nas eleições deste ano são os mesmos utilizados anteriormente.

“É um sistema absolutamente seguro. Os partidos políticos, os candidatos a presidente da República, aqueles que são os mais interessados na segurança da contabilidade do voto e do sistema eleitoral não trouxeram, quando da audiência pública a respeito do sistema eletrônico de votação, nenhum tipo de resistência à urna eletrônica”, disse em nota do site do TSE.

App Você FiscalComo funciona
O professor Diego Aranha explica como o Você Fiscal funciona em um vídeo postado no YouTube (veja aqui). Em resumo, a ideia é coletar fotos dos Boletins de Urna, processar as imagens e comparar o boletim de urna fotografado com a versão publicada pelo Tribunal Superior Eleitoral. Quanto mais pessoas participarem e tirarem fotos dos BUs nas seções eleitorais, melhor será o resultado.

Não havendo filas, o Boletim de Urna deve ser impresso ao término da eleição, às 17h, e fixado em um local público próximo à seção eleitoral. Qualquer pessoa que instalar o Você Fiscal pode, então, fotografar o documento.

No início, a ideia era que os próprios celulares realizassem o processamento da fotografia e enviassem apenas os números para a contabilidade do Você Fiscal, mas, como há o risco de boletins falsos serem fotografados para comprometer o resultado, o aplicativo enviará as fotos tais como foram tiradas. “Desta forma, caso alguma discrepância seja encontrada, temos alguma evidência fotográfica passível de análise e podemos correr atrás do documento físico para fazer a conferência final”, explicou Aranha.

Incentivar que as próprias pessoas fiscalizem os boletins de urna pode ter ainda outros “efeitos colaterais” apontados pelo professor, como a finalização da votação na hora certa e o respeito pela regra que exige a fixação do boletim de urna em local público para conferência.

Quem não tem um smartphone compatível com o aplicativo pode tirar manualmente as fotos do BU e enviar pelo site do Você Fiscal.

Próximo objetivo
O site de financiamento coletivo “Catarse” exige que a meta de um projeto seja atingida. Caso isso não ocorra, todos os doadores ou apoiadores recebem o dinheiro de volta. Agora que o Você Fiscal já conseguiu os R$ 30 mil iniciais, ainda é possível fazer novas doações.

O professor Diego Aranha diz que não esperava essa reação ao projeto, que foi divulgado e apresentado com poucos recursos. Para ele, o interesse pelo projeto demonstra que há demanda por maior transparência no processo eleitoral. “A experiência tem sido muito enriquecedora para todos e demonstra o interesse latente da sociedade na questão da transparência eleitoral”, afirma.

Doadores podem receber presentes pelas doações, de acordo com o valor doado. Entre as recompensas estão adesivos, menção no aplicativo, camisetas e o livro Cypherpunks – Liberdade e o Futuro da Internet, escrito pelo fundador do Wikileaks, Julian Assange.

Aranha diz que o destino dos novos recursos será “divulgado em breve”. “Continuamos trabalhando com a meta original. Em breve iremos publicar previsão de recursos adicionais que eventualmente recebermos, mas a responsabilidade já é grande”, diz ele.

Fonte: g1.globo.com/tecnologi

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