cs-aniversarioEm 19 de junho de 1999, há aproximadamente 15 anos, o vietnamita naturalizado canadense Minh Le lançava uma modificação para o game Half-Life. Le, que já havia feito Mods em games como Quake, talvez não fizesse ideia do impacto que o ainda em fase beta Counter Strike traria para toda a indústria.

O “CS”, sigla pela qual o game ficou famoso, nasceu graças à política bastante aberta da Valve em relação aos seus games, disponibilizando o kit de desenvolvimento (SDK) para que programadores criem modificações se baseando em seus motores gráficos. Assim nasceram outros Mods, como o game psicodélico de confrontos Ricochet, desenvolvido pela própria Valve, e o jogo tematizado na segunda guerra Day of Defeat e bem mais tarde o hilário Garry’s Mod. Mas foi o conflito entre terroristas e contra-terroristas desenvolvido por Le que ganhou a atenção do público.

Por conta do sucesso do Mod, Le abandonou seu curso em Ciências da Computação para se dedicar ao desenvolvimento de Counter Strike, trabalho feito em conjunto com Jess Cliffe (que, por sinal, é a voz nas icônicas frases através do rádio). As atualizações semanais evoluíram rapidamente o Mod e, seguindo a filosofia que fez este game surgir, muitas modificações para CS adicionariam novas armas e elementos marcantes como os sons para headshots (o famoso HS) e múltiplas kills (quem aí não lembra disto?), além de uma infinidade de mapas criados por pessoas de todo o mundo.

Counter Strike 1.0, na gloriosa resolução de 800 x 600

Com o sucesso de CS, a Valve,desenvolvedora de Half-Life, viu a oportunidade que surgia com este Mod, e em 2000 convenceu a Sierra a licenciar e distribuir o jogo. Antes que você se pergunte: naquela época a Valve ainda não publicava seus próprios games, e só lançaria o Steam em 2003.

A era de ouro das LAN Houses 
Com um gameplay ágil, de ação praticamente constante e com participação de várias pessoas simultaneamente, Counter Strike surgiu em um momento muito oportuno: a era de ouro das LAN Houses como locais para gamers. Por conta das sérias limitações de conexão com internet do início dos anos 2000, ainda era sofrível jogar via internet, e plataformas que facilitassem encontrar adversários online, como Battle.net, Microsoft Gaming Zone e o próprio Steam, ou estavam em estágio inicial ou nem existiam. Para alguns, a limitação era outra: bem antes da popularização da internet, para muitos ter um computador em casa já era algo incomum, ainda mais com performance suficiente para jogos.

As LAN Houses resolviam os dois problemas, ao usar a rede local para jogar, e se tornariam para “os gamers da virada do milênio” o equivalente aos fliperamas da geração anterior. Só perderiam seu papel principal quando a melhoria da conexão com internet, popularização dos computadores e o surgimento plataformas mais avançadas e práticas de games tornaram fácil jogar online. Com isto, as famosas LANs deixaram de ser o principal local de encontro de jogadores de PC e passaram a ser, primariamente, um centro de inclusão digital.

Surge o e-Sports
Counter Strike mudou a indústria de tal forma que criou uma nova profissão: gamer profissional. Com uma mecânica que possibilita alto grau de competitividade, e o desenvolvimento de um sistema anti-trapaças por conta da Valve (o Valve Anti-Cheat, ou VAC), tornou-se possível o surgimento de competições oficiais como a World Cyber Games (WCG), World e-Sports Games (WEG) e Electronic Sports World Cup (ESWC).

A WCG estreou em 2000, ainda sem o CS. Seus 174 participantes disputaram partidas em games como Age of Empires 2, Fifa 2000, Quake III Arena e StarCraft. No ano seguinte, Counter-Strike foi introduzido, o que fez o número de participantes mais que dobrar: foram 430 gamers, de 37 países (no ano anteior, haviam representantes de 17 nações). Nada menos que 380 mil jogadores de todo o mundo disputaram as vagas para participar do WCG daquele ano, e a equipe Russa M19 levou a melhor na final.


O nível de precisão de um gamer profissional, neste vídeo com os melhores momentos de Christopher “GeT_RiGhT” Alesund

Em torno dessas competições aconteceu a profissionalização de vários jogadores, que passaram a contar com uma estrutura parecida com aquela dos “esportes normais”, como patrocínio, muitas horas dedicadas ao treinamento e premiações aos vencedores que passam das dezenas de milhares e dólares. CS seria o primeiro de uma série de games que formariam ligas regionais e internacionais, como acontece hoje em jogos como StarCraft, League of Legends e DOTA (este último, por sinal, também surgiu de um MOD).

A proibição no Brasil
Ironicamente, uma característica que está na origem do jogo levaria ao seu banimento aqui no nosso país. Por conta da facilidade de modificar o Counter Strike, e adicionar novos elementos ao jogo, surgiram muitos mapas desenvolvidos pela comunidade. Um destes mapas, o cs_rio, retratava o conflito entre a Polícia Militar e bandidos em uma favela no Rio de Janeiro.

Em um gesto de clara ignorância à forma como funcionam os games e este tipo de modificação, em 2008 o jogo teve suas vendas proibidas no país. A decisão do juiz federal Carlos Alberto Simões de Tomaz, da 17 ª Vara Federal do Estado de Minas Gerais, considerou que o jogo atentava contra o estado democrático de direito e contra a segurança pública, ignorando o fato de que o mapa que causou esta polêmica não está sequer presente no jogo original.

Apesar do jogo já ter sido liberado, atualmente, ainda é perceptível efeitos desta polêmica. Um exemplo é nesta entrevista com George Woo, organizador do Intel Extreme Masters, que explicou porque a etapa brasileira do evento não contou com este jogo tão popular.


Confira a pergunta feita aos 3:28

O Futuro do CS
O Couter Strike recebeu novas versões durante os anos subsequentes. Condition Zero (2004) trouxe melhorias na inteligência artificial e uma campanha solo. A nova engine Source, lançada com Half-Life 2, fez uma série de melhorias gráficas e evoluções na física em Counter Strike: Source (2004). A versão mais recente do jogo foi lançada em 2012, com Counter Strike: Global Offense (CS:GO). Mesmo com toda a evolução da franquia, para muitos, a versão 1.6 lançada em 2003 e a última ainda na engine original do primeiro Half-Life segue como a melhor para se jogar.


A evolução do jogo

O jogo continua com competições de grande porte internacionais, como a final da ESL (Electronic Sports League) e sua premiação de US$ 250 mil, mas vem disputando espaço com um gênero que se tornou muito popular (e que curiosamente surgiria de um Mod também): o multiplayer online battle arena (MOBA). Games como League of Legends e Dota 2 se tornaram o destaque nas competições internacionais, e também vêm recebendo boa parte do público nas transmissões online. Enquanto escrevíamos este artigo, por exemplo, 113 mil pessoas jogavam CS:GO. Na mesma hora, 813 mil estavam em partidas de Dota 2. Na mesma hora, havia 17 mil jogando o CS: Source e nada menos que 25 mil pessoas jogavam a primeira versão do jogo, aquela do início dos anos 2000, segundo estatísticas do Steam. Estima-se que 27 milhões de pessoas joguem diariamente LoL (com picos de 7.5 milhões simultâneos), e Dota contabilizou um total de 8.5 milhões de jogadores no mês passado.

Se nas grandes competições hoje Counter Strike tem que brigar por espaço, nas LAN Partys, um equivalente a uma LAN House caseira em que cada um traz seu computador, o jogo segue imbatível e está sempre na fila dos games a serem jogados. Pouca coisa supera o gosto de debochar de quem você acaba de matar com um tiro na cabeça (no jogo… é claro).

E aí, pra comemorar o aniversário do jogo, vai uma partida de CSzinho? 1.6, é claro.

Fonte: adrenaline

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Verifique também

Google Stadia é lançado oficialmente; Demonstração, Impressões Iniciais e preços dos games

Nesta terça-feira (19), a Google lançou oficialmente o seu serviço de jogos via streaming,…