A indústria cinematográfica vive movendo processos judiciais e implementando tecnologias duvidosas para combater o download ilegal de suas produções. Mas esta prática é tão disseminada que deixa uma pergunta no ar: será que os profissionais da área também não baixam filmes e séries, pelo menos de vez em quando? Em uma pesquisa recente, 39% admitiram que sim.

Esta é uma pergunta que estava encucando o escritor e produtor Stephen Follows. Por isso, ele resolveu incluir questões referentes ao assunto em uma série de entrevistas que foram feitas com profissionais ligados a três dos principais mercados do cinema: Cannes, Berlim e, claro, Hollywood. Foram ouvidas pessoas de diversos segmentos, como produção, pós-produção, distribuição e marketing. Ao todo, 1.235 profissionais responderam aos questionários.

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De modo geral, o que se percebeu é que o assunto divide opiniões mesmo entre os profissionais da área. 50% deles responderam que a pirataria não afetou em nada o seu trabalho, enquanto que 3% disseram que os downloads, na verdade, os ajudaram. Por outro lado, 37% dos entrevistados afirmaram que a pirataria causa redução de receita, enquanto que, para 9%, esta prática atrapalha a sua profissão.

Sem causar estranheza, os profissionais ligados às áreas de venda e distribuição foram os que mais condenaram os downloads: a pirataria digital é considerada seriamente danosa por 18% deles e causa perda de receita para 49%. Apenas 3% têm uma posição positiva sobre os downloads.

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Quando questionados se em algum momento eles próprios fizeram download de filmes ou séries, 39% disseram que sim, como informado no inicio do post. Novamente, a quantidade de respostas positivas varia conforme o ramo de atuação: 55% dos profissionais de marketing admitiram ter baixado filmes, mas entre os entrevistados que trabalham com exposição (isto é, diretamente nas salas de cinema), este índice foi de zero.

Em relação aos profissionais de distribuição, o download ilegal foi admitido por apenas 28%. Para Stephen Follows, a resistência entre eles é maior porque, ao contrário das outras categorias, estes profissionais dependem quase que exclusivamente das vendas. “Em parte, é por causa deles que vemos tantos logotipos no início de cada filme”, explica Follows.

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A pesquisa não aponta o que leva a pirataria a ser uma prática relativamente frequente entre os profissionais do cinema, mas, muito provavelmente, as causas não são diferentes dos motivos das demais pessoas: praticidade, disponibilidade e acesso mais rápido a conteúdo recém-lançado, por exemplo.

O fator financeiro parece também ter alguma influência: entre os profissionais que trabalham regularmente em produções com orçamento abaixo de US$ 1 milhão, 65% admitiram os downloads; quanto aos que trabalham com filmes com caixa acima de US$ 10 milhões, este número foi de apenas 2%.

Fonte: tecnoblog

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