Mostrado ao mundo pela primeira vez durante a E3 2012, Watch Dogs surpreendeu a todos ao mostrar alguns dos primeiros relances da próxima geração de consoles. No entanto, com o passar dos anos, o destaque dado ao jogo na época foi diminuindo graças à chegada de outros títulos importantes — entre eles, Grand Theft Auto V, mais novo capítulo de uma série que sempre foi referência no quesito “mundo aberto”.

No entanto, o sucesso absurdo do título da Rockstar parece não afetar Jonathan Morin, diretor criativo de Watch Dogs. Embora ele reconheça o impacto que a franquia tem no mercado, o desenvolvedor se mostra confiante no sucesso de seu game que, segundo ele, oferece experiências que não podem ser encontradas em nenhum outro lugar.

“Eu não acho que sejam frustrantes (as comparações com GTA V), porque isso ocorre com muitos tipos de jogos. Eu acredito que certos títulos afetam a imaginação das pessoas e viram uma espécie de ponto de referência. O que é mais engraçado é que os jogadores fazem isso bastante, constantemente descrevendo jogos usando como base outros títulos — algo que vocês, jornalistas, também fazem. Para mim, isso só ajuda no processo de comunicação” declarou Morin à CVG.

“Acredito que GTA V é uma grande fantasia e que tudo o que há lá reforça esse sentimento. No entanto, não podemos ficar copiando elementos ou começar a se submeter à pressão de nossos vizinhos, algo no estilo ‘oh meu Deus, também precisamos de um helicóptero’”, disse ele à VG24/7.

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Segundo Morin, um dos aspectos que ele mais acha curiosos nessas comparações é o fato de os jogadores perguntarem a ele sobre elementos em comum entre os dois títulos. O desenvolvedor fica intrigado especialmente pelo fato de as pessoas demonstrarem vontade de repetir aquilo que já fizeram anteriormente em vez de ficarem curiosos pelas novidades que vão ser apresentadas.

“É engraçado. As pessoas falam muito sobre o que já sabem em vez de dizer ‘o que há em Watch Dogs que não é possível fazer em outros jogos?’. Eles fazem algo como ‘oh, provei aquela água e a achei boa. Você também tem isso em seu game?’ É engraçado, eu só acho isso divertido”.

O desafio de trabalhar com múltiplas gerações

Questionado sobre a dificuldade de trabalhar com plataformas de gerações distintas, Morin afirmou que o processo foi um verdadeiro desafio para os profissionais que tiveram que codificar o game. No entanto, ele afirma que o processo não foi tão difícil quanto o que era testemunhado no passado, quando realizar a transição de uma plataforma para outra exigia no mínimo seis meses de trabalho.

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“Agora as engines são criadas de forma flexível, embora o processo ainda esteja longe de ser fácil, mas o time de desenvolvimento sabe usá-la de forma mais inteligente. Está além da minha compreensão entender como eles fazem isso, mas eles são muito bons. Parece que o processo está fluindo muito bem”, explicou ele à CVG.

Embora o time de marketing da Ubisoft tenha se concentrado em exibir imagens e vídeos correspondentes às versões do game para o Xbox One, PC e PlayStation 4, Morin afirma que os donos das plataformas atuais não têm com o que se preocupar. Segundo ele, o vídeo publicado há alguns meses nos quais o título exibia gráficos extremamente simples foi fruto de um simples erro de comunicação interna.

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“Estamos trabalhando em PCs. Por causa disso, e pelo fato de estarmos trabalhando tanto com a próxima geração quanto com a atual, temos um game bastante escalonável. Então você pode selecionar um monte de aspectos, tornando-o mais feio do plano caso você desmarque um número suficiente de opções”, explica o diretor criativo.

“Algumas vezes os trailers são feitos fora do nosso prédio — não estamos lá fisicamente —, e algumas pessoas que não têm os melhores olhos do plano tomam iniciativas e começam a gravar algo. Com isso, eles não percebem que estão capturando imagens do game que não fazem nenhum sentido”, complementa.

Temas e cenários

Um dos principais aspectos que afasta Watch Dogs de outros títulos de mundo aberto atuais (como Saints Row 4 e o já citado GTA V) é o fato de ele prezar pelo realismo, seja na maneira como lidamos com os ambientes ou pelos temas tratados. “Estamos focando em um assunto que é muito contemporâneo e visto pelas pessoas de diferentes maneiras”, explica Morin.

“Algumas pessoas veem o jogo como uma aventura cyberpunk no estilo Blade Runner, o que eu acho extraordinário. Mas também há aqueles em um espectro oposto que interpretam o game mais como um comentário sobre as tecnologias atuais. Pessoas já me fizeram perguntas que comparavam Watch Dogs com filmes old-school da década de 70”.

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Segundo o diretor criativo, o título não foi construído para se encaixar em uma única definição, o que pode dificultar o trabalho de classificá-lo. Isso faz com que ele esteja ansioso para ver as reações que o jogo vai ter durante seu lançamento — Morin acredita que a experiência é tão diferente que cada pessoa vai se sentir obrigada a jogar o game como forma de criar uma opinião única sobre ele.

Esse efeito se deve em parte ao trabalho de pesquisa feita pela equipe responsável por desenvolver o universo do game. Em vez de simplesmente tirar fotografias da cidade de Chicago, a Ubisoft estudou a música e a história do local e chegou a acompanhar o trabalho de policiais para detectar as áreas mais perigosas da cidade e registrar a maneira como eles se comunicam durante uma abordagem.

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Além disso, a equipe de desenvolvimento entrou em contato com hackers reais para descobrir mais detalhes sobre como ocorrem invasões de sistemas no mundo real. Segundo Morin, embora o jogo forneça ferramentas que são mais velozes do que aquelas disponíveis na realidade, tudo o que o protagonista de Watch Dogs realiza também pode ser feito fora do game.

Com lançamento programado para o dia 22 de novembro, o novo título de mundo aberto deve representar uma bela estreia para a Ubisoft na próxima geração de consoles. Faltando pouco mais de um mês para o jogo chegar às lojas, as expectativas criadas pelo produto se tornam cada vez mais altas.

Fontes: bj via CVG, VG24/7

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