A revista britânica “The Economist” voltou a estampar o Brasil na capa de sua edição para a América Latina e a Ásia. Com uma manipulação digital que mostra o Cristo Redentor afundando após um voo, a revista questiona: “Será que o Brasil estragou tudo?”. A capa é uma referência da mesma revista, que, em 2009, mostrou o Cristo decolando como um foguete.

Capa da revista “The Economist” que será publicada nesta semana
Capa da mesma revista em matéria de novembro de 2009

“Uma economia estagnada, um Estado inchado e protestos em massa significam que Dilma Rousseff deve mudar o rumo”, afirma a reportagem especial sobre o país.

A revista cita os protestos de junho, e se pergunta se a presidente Dilma Rousseff vai conseguir recolocar o país nos eixos. Além disso, pergunta se a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos vão ajudar a recuperação do Brasil ou simplesmente trazer mais dívidas.

‘Voo de galinha’

A revista relembra o cenário otimista há quatro anos: a economia tinha se estabilizado durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, nos anos 1990, e acelerado no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, no começo dos anos 2000; sentiu pouco o colapso do banco Lehman Brothers, em 2008; cresceu 7,5% em 2010; foi escolhida como sede da Copa do Mundo e das Olimpíadas; e Lula ainda conseguiu eleger Dilma Rousseff como sua sucessora.

“Desde então, o país tropeçou e voltou à realidade”, diz. A reportagem cita o crescimento de 0,9% em 2012 e as manifestações que encheram as ruas do país em junho contra os altos custos de vida, a precariedade dos serviços públicos e a corrupção política.

“Muitos agora perderam a esperança de que seu país estava fadado ao sucesso e concluíram que foi apenas outro voo de galinha”, afirma a revista, usando a expressão em português.

Investimentos em infraestrutura ‘pequenos como biquíni fio-dental’

A revista afirma que muitas das políticas do ex-presidente Lula -“notavelmente o Bolsa Família”- são admiráveis. “Porém, o Brasil fez muito pouco para melhorar seu governo nos anos de crescimento.”

A chance perdida não é exclusividade brasileira; aconteceu também com a Índia, segundo a reportagem.

No caso do Brasil, é pior, diz a “Economist”, porque a carga tributária é muito alta e pesa demais sobre as empresas, enquanto o governo “tem seus gastos prioritários de cabeça para baixo”.

Outro complicador, segundo a revista, é que, apesar de ser um país jovem, gasta demais com aposentadorias, e de menos com infraestrutura. “(…) apesar das dimensões continentais do país e péssimas conexões de transporte, os investimentos em infraestrutura são tão pequenos como um biquíni fio-dental”, diz.

‘Dilma interfere mais que pragmático Lula’

A revista faz, ainda, duras críticas à atuação da presidente Dilma Rousseff em relação a interferências do governo em assuntos privados. Segundo a revista, a atuação de Dilma teria afastado investidores dos projetos de infraestrutura.

“Esses problemas vêm se acumulando há gerações. Mas Rousseff não quis ou não conseguiu combatê-los, e criou novos problemas ao interferir muito mais do que o pragmático Lula.”

Em vez de assumir indicadores desfavoráveis, afirma a “Economist”, o governo lançou mão de “contabilidade criativa” e a dívida pública avançou para entre 60% e 70% do PIB. “Os mercados não confiam em Rousseff”, diz.

Luz no fim do túnel?

Segundo a revista, a solução para o país inclui, primeiramente, “redescobrir o apetite por reformas” e reestruturar os gastos públicos, especialmente com aposentadorias. Em segundo lugar, tornar os negócios brasileiros mais competitivos e encorajar investimentos, abrindo o mercado e expondo as empresas à competição mundial.

Em terceiro lugar, precisa urgente de uma reforma política, diz a revista, citando a multiplicação de partidos e os 39 Ministérios do governo.

“O Brasil não está condenado ao fracasso: se Rousseff colocar a mão no acelerador, ainda há uma chance de decolar novamente”, diz a “Economist”.

Brasil já foi o “queridinho” dos investidores

Em 2009, a mesma revista publicou uma capa especial sobre o Brasil. A imagem doCristo Redentor voando simbolizou um momento de amadurecimento da economia do país.

A revista “The Economist” disse na época que o Brasil era “a maior história de sucesso na América Latina”.

A revista afirmava que o país deixava de ser uma promessa e começava a dar resultados, mas advertia que um dos riscos era  o excesso de confiança.

Em 2009, a “Economist” citou as descobertas de petróleo no pré-sal (águas profundas no litoral) e as exportações para países asiáticos como elementos que iriam estimular ainda mais o crescimento da economia brasileira nos próximos anos.

A previsão era que o Brasil seria a 5ª maior economia do mundo em 2015.

 

fonte> http://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2013/09/26/revista-poe-cristo-caindo-na-capa-e-insinua-fim-do-crescimento-da-economia.htm

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