Para Danilo Saúde, divulgador que tem uma rede de 12 mil pessoas, não há nada de pirâmide na empresa que teve os bens bloqueados.

TelexFREE está hoje no centro de uma batalha. A empresa, que vende pacotes de telefonia via internet (VoIP), é acusada pelo Ministério Público de praticar pirâmide financeira. Enquanto o caso corre na Justiça do Acre, a TelexFREE teve todos os bens bloqueados, deixando sem pagamento cerca de um milhão de vendedores – que são chamados de “divulgadores”. Entre eles, Danilo Saúde, de Novo Hamburgo (RS).

Com trânsito na cúpula da empresa no Brasil, foi ele quem apresentou Carlos Costa, diretor de marketing e sócio da companhia, numa das últimas teleconferências para investidores realizada pela firma.

Segundo o MP, a TelexFREE seria um exemplo de pirâmide por se manter não pela venda dos produtos, mas pela adesão de novas pessoas à cadeia de vendedores, que compram pacotes para entrar. O esquema, de acordo com promotores, não é sustentável e iria ruir quando as adesões cessassem, trazendo prejuízo para a maioria dos envolvidos. A empresa, por sua vez, afirma praticar marketing multinível.

Em entrevista a EXAME.com, Danilo Saúde, cuja equipe de divulgadores tem hoje cerca de 12 mil pessoas em vários países, rebate as acusações contra a firma e defende que são eles os mais prejudicados.

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EXAME.com — Na sua opinião, a TelexFREE se mantém através de pirâmide financeira? 
Danilo Saúde – Para quem está de fora, é muito fácil julgar. As pessoas insistem em dizer que é pirâmide, mas o contrato não me obriga a convidar ninguém. Na minha opinião, a TelexFREE foi alvo de interesses particulares. Antes de ela surgir, nunca tinha visto operadoras de telefonia como a Oi, a Tim ou a Vivo oferecerem serviços Voip a preços muito baratos. Eles têm medo de nós porque o custo de uma chamada é bem menor para quem usa VoIP (sistema de telefonia via internet).

EXAME.com — Como você conheceu a TelexFREE?
Saúde – Entrei na empresa em 18 de julho de 2012 por meio de amigos que já faziam parte. Minha equipe hoje tem cerca de 12 mil pessoas e está espalhada por Estados Unidos, Canadá, Nova Zelândia, Espanha e Portugal. Em geral, não tenho um contato direto muito grande com eles. Normalmente, são amigos de amigos. Na adesão, o divulgador paga 50 dólares à empresa. Quem o convidou não ganha nada com isso, mas recebe um retorno caso ele compre os kits.

EXAME.com — E o que são os kits?
Saúde – Há dois tipos de kits. Um deles é o Adcentral Simples, que custa 289 dólares. Ele é formado por 10 pacotes de chamadas VoIP, que permitem a quem compra falar à vontade com os Estados Unidos e durante 3 mil minutos com outros 40 países quando conectado. O outro kit é o Adcentral Family, que vem com 50 pacotes e sai por 1.375 dólares. Para cada pacote de Voip vendido, o divulgador ganha 44,90 reais. Na nossa empresa, ganha mais quem vende mais. Um divulgador habilidoso consegue vender até 5 pacotes por dia sem dificuldade.

EXAME.com — Qual é o vínculo dos divulgadores com a TelexFREE?
Saúde – Eu não sou um empregado da empresa, mas um empreendedor. Meu contrato me autoriza a vender pacotes de VoIP da TelexFREE. Como presto serviço para eles, parte de tudo que eu ganho é descontado em fonte pelo Imposto de Renda. Só no ano passado, o meu desconto foi de quase 20 mil reais.

 

EXAME.com — Segundo o Ministério da Justiça, a empresa estaria ferindo princípios básicos do Código de Defesa do Consumidor, como transparência e boa-fé. Você concorda?

Saúde – A maior pirâmide que existe no Brasil se chama INSS. É uma grande massa de pessoas sustentando poucos, um esquema falido. Vários estudos já mostraram que, em breve, a quantidade de gente trabalhando não vai dar conta de sustentar o número de aposentados. Na hora de julgarem a TelexFREE, ainda escolheram o Acre – um lugar distante e governado pelo PT. O filho do Lula é um dos maiores acionistas da Oi. Tudo isso está interligado.
Em um evento da TelexFREE, tive o prazer de conhecer pessoalmente o Carlos Wanzeler, sócio da empresa e o nosso diretor Carlos Costa. Ele é um cara que tem simplicidade para falar, passa transparência e que conversa com os divulgadores.

EXAME.com — Muitos dos divulgadores se referem à empresa como uma família. De onde vem essa união?
Saúde –  Nossa união se deve a tudo que a TelexFREE conseguiu fazer. O marketing multinível trouxe felicidade para muita gente. Pessoas comuns puderam ganhar dinheiro e realizar sonhos. É claro que quando as coisas não vão bem, as pessoas se juntam. Muita gente pegou empréstimos para entrar na TelexFREE e se endividou. Imagine o que essas pessoas estão passando.

EXAME.com — Há muitos casos de pessoas em dificuldades?
Saúde –  Eu tenho na minha equipe uma senhora que é aposentada e tem um filho especial. Ela não pode trabalhar fora de casa e seus vencimentos não cobrem as despesas. Então, ela depende da renda da TelexFREE para sobreviver. Há poucos dias, ela me ligou pedindo ajuda. Quando a juíza tomou a decisão inconsequente de interditar a empresa, ela acabou prejudicando muita gente.

EXAME.com — Com a situação atual, você tem medo de perder o dinheiro que investiu comprando os pacotes?
Saúde –  A Justiça garantiu que o dinheiro vai ser devolvido. Então, nós, divulgadores, não estamos brigando por dinheiro. Estamos lutando pelo direito de trabalhar pela TelexFREE. A orientação que recebemos da empresa é de manter a paciência e confiar na Justiça – embora a gente saiba que há muitos interesses por trás disso tudo.

EXAME.com — Você já tem planos caso a Justiça impeça definitivamente o funcionamento da TelexFREE?
Saúde – Acredito muito que a empresa vai voltar às suas atividades. Se isso não acontecer, vou entender realmente que a Justiça não está nem aí para as pessoas desse país, que a Justiça quer é ferrar quem é mais pobre mesmo.

Fonte: exame

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