STEVE LOHR

CLAIRE CAIN MILLER
DO “NEW YORK TIMES”

The New York TimesÓrgãos reguladores dos EUA e da Europa estão realizando uma investigação abrangente sobre o Google, o maior site de pesquisa e publicidade da internet. O relacionamento entre o Google e os sites da web, editores e anunciantes muitas vezes parece assimétrico, ou mesmo injusto.

“Estamos vivendo no mundo do Google”, diz Jeffrey G. Katz, executivo-chefe da Wize Commerce, dona do site de comparação de preços Nextag.

Nos Estados Unidos, o Google detém 67% do mercado de buscas e fatura 75% dos anúncios em buscas. Ser grande não é crime, mas se uma empresa poderosa usa sua força no mercado para abafar a concorrência é uma infração da lei antitruste.

Em fevereiro, Katz ficou ansioso ao ver a diminuição do tráfego on-line do Nextag a partir do sistema de buscas do Google. Engenheiros e consultores se empenharam em descobrir se o problema era culpa do Nextag.

Daniel Rosenbaum/The New York Times
Ron Kahlow, diretor do Vote-USA.org, que descobriu por que o site perdia audiência vinda do Google
Ron Kahlow, diretor do Vote-USA.org, que descobriu por que o site estava perdendo audiência vinda do Google

Talvez alguma modificação inadvertida tivesse levado o algoritmo do Google a rebaixar o Nextag quando uma pessoa digitasse termos de busca relacionados a compras.

Mas os engenheiros concluíram que não. O tráfego originário do Google continuou declinando. A reação do Nextag? Dobrou seus gastos em publicidade paga nas buscas do Google nos últimos cinco meses.

A medida foi necessária para reter os compradores, diz Katz, porque estima-se que 60% do tráfego do Nextag venham do Google.

O Google forneceu e alimentou uma paisagem de oportunidades. Seu sistema gera US$ 80 bilhões por ano em receitas para 1,8 milhão de empresas, sites da web e organizações sem fins lucrativos só nos EUA, calcula a empresa.

Mas o gigante das buscas atraiu a atenção das autoridades antitruste ao avançar além de seu produto principal –pesquisas e publicidade em pesquisas–, para campos como comércio on-line e resenhas locais.

De fato, o governo americano lançou contra o Google a mais exaustiva investigação sobre uma grande corporação desde que examinou a Microsoft, no final dos anos 1990.

A Comissão Federal de Comércio recomendou a preparação de um processo antitruste contra o Google, segundo pessoas informadas sobre o inquérito, que falaram sob a condição de anonimato.

A questão antitruste é se o Google usa sua máquina de buscas para favorecer suas ofertas em relação às da concorrência. Isso também é tema de negociações com a União Europeia.

AJUSTES NO ALGORITMO

O Google está constantemente ajustando seu algoritmo de buscas, o software inteligente que determina a relevância, a classificação e a apresentação dos resultados das pesquisas, geralmente links para outros sites da web.

O Google há muito tempo afirma que seu algoritmo elimina sites de baixa qualidade. Mas esse algoritmo é secreto, e as mudanças podem deixar os sites em má situação.

Vote-USA.org, grupo sem fins lucrativos fundado em 2003 que publica amostras gratuitas de votos, viu seu tráfego cair acentuadamente por volta de 2008, diz seu diretor, Ron Kahlow. O motivo: “Nós desaparecemos do Google”.

Annie Tritt/The New York Times
Jeffrey Katz, presidente-executivo do Wize Commerce, que diz que boa parte de sua audiência vem do Google
Jeffrey Katz, presidente-executivo do Wize Commerce, que diz que boa parte de sua audiência vem do Google

Uma explicação veio através de uma conexão pessoal, que conseguiu que um engenheiro do Google investigasse a questão. O problema, como soube Kahlow, era que as páginas estaduais do site também tinham informação sobre os candidatos nacionais.

Para o algoritmo do Google, conteúdo duplicado em um site sugere um atalho obscuro para tentar fazer o site parecer maior do que é.

Kahlow consertou isso e o Vote-USA.org saiu da lista negra do Google. Mas, nesta última eleição, ele ficou atento, temendo que o Google promovesse sua própria ferramenta de orientação sobre onde votar e amostras de votos, como seu site oferece.

“Tenho certeza de que eles sabem o valor que está sendo gasto em política e tenho certeza de que gostariam de levar um pedaço do bolo”, disse Kahlow.

OUTROS CASOS

No início do ano passado, pequenos sites de notícias de todo o país desapareceram do Google e seu público despencou.

“Não houve explicação do motivo ou um lugar onde você pudesse buscar mais informação”, diz Hal Goodtree, editor-chefe do CaryCitizen, um site de notícias locais em Cary, na Carolina do Norte.

O Google não compete com sites como esse na laboriosa tarefa de relatar notícias locais. Mas Lance Knobel, um fundador do Berkeleyside, um site de notícias em Berkeley, na Califórnia, diz que sites como o dele competem com o Google por publicidade local.

Enquanto a companhia reforça o Google Plus Local, sua listagem de empresas locais e serviço de resenhas, Knobel diz que a máquina de buscas do Google poderá predudicá-lo. Uma pessoa que busca informações sobre uma empresa local pode ser conduzida para o Google Plus Local, em vez do Berkeleyside, diz.

Falando em uma conferência em outubro, Larry Page, um dos fundadores do Google, abordou a questão da concorrência com outras empresas da web. “Essa é sempre uma questão difícil”, respondeu.

Mas não é nova. Ele mencionou o Google Maps, em 2005. “Naquela época, tivemos o mesmo tipo de críticas”, disse. “Como: ‘Oh, já existe o MapQuest’. Alguém já ouviu falar nele? Ninguém mais o usa.”

Hoje, o MapQuest tem a metade do número de visitantes mensais do Google Maps, segundo a comScore.

O objetivo principal do Google, sugere Page, é o constante aperfeiçoamento de seu produto, o que significa acrescentar serviços que coletem e analisem dados mesmo que algum concorrente possa sofrer.

O Google afirmou isso insistentemente para os reguladores, porque, em um processo antitruste, o benefício do consumidor tem grande peso.

Mas isso é um subterfúgio para concorrentes como o Nextag, que mudou sua estratégia para ser menos vulnerável ao que considera uma incursão do Google no comércio. O plano revisado, diz Katz, “nos dá a oportunidade de ser uma empresa muito mais saudável”.

fonte: http://www1.folha.uol

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