Moacyr Alves, o conhecido comandante da Acigames (e de promoções como o “Dia do Jogo Justo” e o mais recente “Eu Tô Legal”), anunciou oficialmente no GameWorld 2012 aquilo que seus seguidores de Twitter já sabiam havia alguns dias: agora ele está no Governo.

Mais especificamente, como Conselheiro Titular de Jogos Eletrônicos e Conteúdos Digitais do Ministério da Cultura, uma espécie de interlocutor do “Brasil dos games” com os políticos brasileiros e o Ministério da Cultura. Sim, nós ainda vamos ouvir bastante que o grande problema do nosso mercado são os impostos, mas o papel do Moacyr não parece estar muito bem definido – pelo menos por enquanto.

“Nós passamos para o próximo nível. Agora é possível que consigamos baixar a carga tributária ainda este ano, de uma forma mais eficiente”, disse ele, ao lado de Bruno Ferreira Maceió, do Ministério da Cultura, e Thiago Cremasco, Coordenador Geral da Inovação e do Audiovisual.

Nessa palestra também foi anunciado o Censo Gamer, uma pesquisa online com o objetivo de mapear o cenário dos jogos no Brasil.

Vale lembrar que a Acigames é uma associação que defende os interesses das empresas de games no Brasil. Invariavelmente, existem interesses conflitantes no desenvolvimento da indústria de videogames por parte do setor privado e do governo. O Moacyr, com a indicação, está à frente dos dois setores, o que implica que muitas das suas decisões terão um peso grande no jovem mercado de jogos. Obviamente, as empresas e o governo, no fim das contas, têm o mesmo objetivo (ou assim esperamos): o progresso da indústria brasileira de entretenimento eletrônico. A diferença está nos caminhos que cada setor deve tomar para chegar lá.

Ninguém falou sobre planos mais concretos dessa “nova fase” da aproximação com o governo, mas surgiu um exemplo lá de cima sobre a questão de carga tributária e modelo de negócios. “Lá de cima”, no caso, em termos geográficos.

O caso Canadá

Moacyr disse que recentemente visitou o Canadá para aprender os segredos da já desenvolvida indústria de games local. Segundo ele, o MinC estaria estudando implementar o mesmo modelo legislativo canadense de incentivos fiscais à nossa indústria brasileira. Mas o que isso significa para o Brasil?

A legislação canadense (mais especificamente, da província do Quebec) prevê o retorno pago pelo governo de 37,5% de todos os gastos com salário das empresas de games que se situam na província. Além disso, as companhias que desenvolvem games em francês – a língua oficial do Quebec – ganham incentivos extras não especificados.

Em 2011, por exemplo, Quebec reembolsou mais de US$ 100 milhões às empresas que produzem, distribuem, testam e traduzem videogames na região. Os incentivos começaram em 1996, quando o governo decidiu revitalizar o seu mercado audiovisual através de incentivos fiscais agressivos, e o resultado é mais do que fantástico. Hoje, Montreal é a cidade que mais produz jogos no Canadá, além de ser a segunda em todo o mundo.

A partir da esquerda: André Forastieri, Moacyr Alves, Bruno Ferreira Maceió e Thiago Cremasco

“[Aplicar o mesmo incentivo fiscal] vai dar um trabalho danado, porque o modelo deles é muito agressivo. Então imagina para um país que já tem uma carga tributária gigante, conseguir pagar mais de 30% da folha de pagamento?” disse  Moacyr. “Mas a gente vai lutar, né? Nem que seja 10% ou 5%. É melhor do que não ter nada.”

Apesar de a carga tributária brasileira não ser necessariamente conflitante à adoção do modelo, uma vez que o imposto pesa apenas para empresas, enquanto o governo na verdade se beneficia com elas, vale a pena ficarmos de olho no progresso desse incentivo fiscal. Mais do que nunca, com tanto dinheiro entrando nos caixas da nossa indústria de games, é da responsabilidade de todos os envolvidos nesse mercado, dos criadores aos consumidores, a manutenção dos nossos interesses junto ao governo.

Fonte: http://www.kotaku.com.br

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